domingo, 15 de junho de 2014

O retrato de Dorian Gray

Hoje fiquei com vontade de escrever uma indicação de leitura de um livro que gostei muito e que conhecia somente de nome, chamado "O retrato de Dorian Gray", do escritor irlandês Oscar Wilde, lançado pela primeira vez em 1890, tornando-se um dos livros mais importantes do século XIX.


A história do livro se passa na Era Vitoriana, e o que o autor faz é uma crítica aos costumes da época. Naqueles tempos, a Rainha Vitória (1837-1901) exigia de todos os cidadãos respeito e bons modos. As regras eram rígidas e os padrões deveriam ser seguidos à risca,  então todos agiam com cortesia, respeito e falsidade, escondendo muita sujeira, imoralidade, futilidade, traição, mortes, assassinatos e coisas ruins, passando a imagem de puritanos, e os personagens do livro fazem exatamente isso. Como tudo era extremamente rígido, os protestos eram feitos por meio da arte.

A história

Dorian Gray é um jovem aristocrata de beleza deslumbrante. Loiro de olhos azuis, logo chama a atenção de Basil Hallward, um renomado pintor que se encanta com Dorian e quer desesperadamente fazer um retrato daquele belo jovem. Eles, então, ficam amigos e o retrato é feito. Nesse meio tempo, Dorian conhece lorde Henry Wotton, um cavalheiro que, no meu ponto de vista, é o personagem perfeito que o autor cria para criticar toda a sociedade. Após conhecer o lorde, Dorian começa a ser influenciado por ele, e passa a viver uma vida de futilidade e egoísmo.

 
Dorian fica maravilhado com a pintura e chega à conclusão de que toda a beleza física que se encontra refletida no quadro um dia deixará de existir e, com todas as forças, deseja não envelhecer e trocar de lugar com o quadro, permanecendo jovem para sempre. Conforme a narrativa é contada, Dorian começa a perceber seu lindo rosto pintado no quadro com rugas ao redor da boca, simulando maldade e se assusta, percebendo que seu maior desejo foi realizado. Enquanto o quadro envelhecia e mostrava, na verdade, o retrato de sua alma, sua aparência física continuava a mesma. Os anos passam e Dorian permanece com o mesmo rosto, toda sua maldade aparece apenas no quadro, o verdadeiro mostruário de sua alma podre.

O que achei do livro?

Nessa história, Oscar Wilde faz uma grande e brilhante crítica às pessoas egoístas e fúteis daquela época, crítica que cabe perfeitamente aos dias atuais. O livro cita também as pessoas ricas (os burgueses aristocratas da época), que estarão sempre acima de qualquer suspeita e nunca irão aparentar nada de errado, e Dorian é usado como exemplo, pois comete um assassinato e, por ser rico, bonito e vir de família nobre, jamais o acusariam de alguma coisa (segundo as palavras de lorde Henry). Conseguiram relacionar isso a algo?? Siiiim, aos governantes e às pessoas de maior poder aquisitivo de nosso país. E é essa a sociedade podre em que vivemos, onde os ricos têm mais direitos que os pobres, onde as pessoas gastam dinheiro com futilidades e onde o dinheiro compra tudo. Deixo minha reflexão para vocês e peço para que, se tiverem tempo, leiam esse livro, é uma crítica perfeita que sempre caberá em qualquer época da história.


Abaixo, a foto do meu livro, que possui muitas edições e capas diferentes. Essa edição eu comprei em uma banca de jornal simples, mas em sebos vocês encontram bem barato!!

Um comentário:

  1. Dri, adorei sua resenha e fiquei bem interessada no livro. Estava estudando "Sociedade do Espetáculo" na faculdade e mostra uma parcela do que você descreveu, que é a futilidade e o egoísmo nas pessoas está cada vez mais evidente. Percebo que a cada dia o homem está mais individual e a sua única preocupação é com o SEU dia, é o SEU conforto, é a SUA refeição e etc. A empatia pelo próximo ou por algum animal está cada vez menos vista nas pessoas, e acredito que isso tenha sido consequência do capitalismo excessivo que vivemos século após século, que desencadeou vários fatores, como o ego, fetichismo, status e etc.
    Parabéns pelo blog :)
    Beijos, (só add com scrap)

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