sábado, 9 de março de 2019

Resenha "The Last Kingdom"

Hoje vou falar um pouco sobre uma série que assisti e gostei muito: The Last Kingdom. É de praxe eu postar séries com temáticas medievais e/ou históricas, portanto essa não foge ao tema. The Last Kingdom é uma série que está atualmente em alta devido à temática Viking, tornando-se aos poucos conhecida por aqui.



A série é uma adaptação do livro “Crônicas Saxônicas”, de Bernard Cornwell, estreando em 2015 pela BBC. Li algumas resenhas sobre o livro e, segundo quem leu, a série foi muito bem adaptada.

A historia se passa em 872, onde Uhtred de Bebbanburg (Alexander Dreymon), o protagonista da série, busca retomar as terras de Bebbanburg, do qual ele é herdeiro e que são suas por direito, de seu tio, que assumiu o controle do local quando Uhtred foi raptado e ficou sob a guarda de invasores Vikings, ainda pequeno. Criado desde então por uma família Viking, Uhtred aos poucos foi deixando sua parte saxã de lado, tornando-se um incrível e temido guerreiro.


The Last Kingdom: série empolgante ou mais do mesmo?

Atenção: contém spoilers!!

The Last Kingdom é uma série que, a princípio, não empolga tanto. Claro que para quem gosta da temática, vai continuar assistindo porque nem toda série começa boa de cara mas sim no desenvolvimento dos capítulos. Para quem assiste só de curiosidade, pode não continuar a acompanhar. Isso porque a história vai começar a andar mesmo no meio da primeira temporada. Já a segunda e terceira são muuuito melhores que a primeira e empolgantes logo no primeiro capítulo, talvez porque a narrativa já esteja em desenvolvimento.

A história é mais focada em Wessex e no surgimento da Inglaterra do que nos próprios Vikings que, claro, fazem parte do enredo, mas não são os protagonistas principais como em outras séries que estão em evidência atualmente. Mesmo com baixo orçamento (talvez isso explique a série não ter estourado, em comparação com Game of Thrones e Vikings), ela é sim muito bem produzida e cumpre seu papel de nos manter colados no sofá. 

Como toda série histórica, essa também traz alguns personagens reais e fatos que realmente aconteceram. The Last Kingdom, ao mesmo tempo que narra a história de Uhtred, mostrando também um pouco da cultura Viking, também trata do início da formação da Inglaterra, onde muitos reinos eram saqueados pelos dinamarqueses (na série, são abordados pelos saxões como 'daneses'). Somente o reino de Wessex, comandado por Alfredo, o Grande, resistia (na série, muito em parte pela ajuda de Uhtred como guerreiro e estrategista). Historicamente, Alfredo, o Grande, realmente existiu, era considerado um monarca "pulso firme", e seu grande sonho era unificar todos os reinos, transformando o que hoje é a Inglaterra. Alfredo é um personagem bastante peculiar; nos faz torcer por ele ao mesmo tempo em que o odiamos. Ele e Uhtred têm uma relação de amor e ódio; ao mesmo tempo que Alfredo admira Uhtred como guerreiro e pessoa, sabendo que precisa dele para vencer os ataques Vikings, ele também repudia a crença pagã e o passado de Uhtred e, colocando sua religião acima de qualquer outra coisa, Alfredo não acha certo manter amizade com um pagão de qualquer modo. Alfredo é interpretado por David Dawson que cumpre brilhantemente seu papel.

Rei Alfredo


Os personagens, ao meu ver, são muito bons e carregam bem a história. Há dois "Ragnars' e eu lembrei muito de Vikings, mas a lembrança me veio só no nome mesmo, porque as duas séries, apesar de retratar os dinamarqueses,  são diferentes em seu conteúdo. Uhtred vira um 'filho adotivo' para Earl Ragnar e cresce convivendo com os dinamarqueses, tornando-se um deles pouco a pouco. Ao longo de sua vida,  muitas vezes ele se depara e tem que escolher entre seu lado saxão ou seu lado viking. Uhtred tem dois irmãos adotivos, Thyra (Julia Bache-Wiig) e Ragnar filho (Tobias Santelmann), outro excepcional guerreiro. É muito bonito ver o amor fraternal de Uhtred e Ragnar ao longo da série, mesmo com todas as adversidades. 

Ragnar filho é o típico Viking na forma física, o que mais me lembra um na verdade, e ao longo da série sua participação vai tornando-se mais ativa, nos cativando pouco a pouco. Extremamente íntegro e, apesar de tudo, com um bom coração, o personagem nos conquista e faz com que torçamos por ele e acompanhemos com fervor as batalhas que ele guia. Ragnar lidera grande parte dos Vikings, mas, como em todo lugar sempre há um traíra, ele infelizmente morre, e confesso que isso partiu meu coração porque eu realmente não estava esperando. Ragnar se envolve com Brida, a saxã que também foi raptada com Uhtred quando ambos eram pequenos, e os dois formam o casal mais fofo da série. 

Ragnar

Ragnar e Brida
A série também foca bastante no "girl power", mostrando mulheres fortes, guerreiras, estrategistas e poderosas. Começo a falar da mais marcante pra mim, Brida, a ex-saxã que foi raptada juntamente com Uhtred - ela inclusive se envolve amorosamente com ele durante os primeiros capítulos da série. Brida é forte, independente, uma excelente guerreira que não deixa homem nenhum a dominar.  Lembrando que naquela época, em outras civilizações, principalmente nas que tinham no catolicismo a religião, moral e costumes, os direitos das mulheres eram quase nulos, e limitavam-se a obedecer o marido e cuidar da casa e dos filhos. Com Brida, e com as mulheres escandinavas da série, vemos que a liberdade e autonomia que elas tinham eram muito maiores do que de qualquer outra mulher que não nascesse nórdica. A frase que mais gosto de Brida é: " I prefer the company of the gods to stupid men" (Eu prefiro a companhia dos deuses do que de homens estúpidos). Já dá pra sentir que mulherão ela é, né?!

Brida

Thyra, a irmã adotiva de Uhtred, foi raptada, ainda jovem, quando sua família morreu em um incêndio criminoso (na época do incêndio, Uhtred e Brida eram os principais suspeitos e tiveram que deixar as terras dinamarquesas), por Sven, um cara que era obcecado por ela desde pequeno. Lá, ela passou longos anos sendo estuprada não só por ele, como também por seu pai e, pelo que entendi, por outros daneses que viviam ali. Depois de anos, passou a viver com os cachorros do local (não entendi muito bem como isso se deu), e esses mesmos cachorros passaram a proteger Thyra de ser atacada sexualmente. Ela vivia praticamente como um bicho, reclusa, com medo e pavor de tudo e todos e, por esse motivo, era desconfiada, quieta e violenta. Após ser libertada do cativeiro por seu irmão Ragnar, que vingou o assassinato de sua família, Brida passou a morar em Wessex com o padre Beocca, por quem se apaixonou. Sem dúvida é uma personagem marcante. 

Thyra, quando foi liberta do cativeiro
Ao longo do desenvolvimento da história, outra personagem importante aparece: a freira Hild. Sua primeira cena é chocante, pois ela quase sofre um estupro por parte dos dinamarqueses que invadiram Wessex. Por conta disso, ela resolve usar sua raiva a seu favor, lutando contra os daneses ao longo da série. Ela conhece Uhtred, e o vínculo de amizade entre os dois cresce e torna-se sólido. Hild inclusive ajuda muitas e muitas vezes Uhtred nas batalhas, até mesmo cuidando dele quando foi raptado e vendido como escravo, sendo liberto por seu irmão Ragnar, a mando do rei Alfredo (nessa altura do campeonato, Uhtred já era um guerreiro valiosíssimo para Alfredo). Hild também torna-se estrategista e mensageira do reino, tarefa muitas vezes cumprida somente por homens. 

Hild

Outra personagem relevante é Aethelflaed, filha do rei Alfredo e governante do reino de Mércia após a morte de seu marido Ethelred, rei de Mércia. A princesa sofreu as mazelas de um casamento forçado, sendo estuprada conjugalmente e abusada verbal e psicologicamente por seu marido, que, na série, era um verdadeiro boçal. Após ser raptada por vikings, justamente por ser filha de Alfredo, Aethelflaed se apaixona pelo dinamarquês Erik, e ali finalmente ela aprende sobre o que é amor, sexo e  respeito. Mesmo sabendo que sua união jamais seria aceita, Aethelflaed insiste em ficar com Erik, mas o destino lhe prega uma peça e Erik infelizmente morre. Grávida de Erik, Aethelflaed tem sua filha com a desconfiança de Ethelred, que continua humilhando sua esposa, tentando inclusive matá-la. Massss maravilhosa que é,  Aethelflaed dá a volta por cima e, em um casamento de fachada, ela mostra quem pode melhor governar o reino de Mércia, sendo muito mais respeitada pelos guerreiros do que o próprio Ethelred, inclusive liderando exércitos. Ela e Uhtred têm um breve affair ao longo da série, mas ambos sabem que é um amor impossível, por isso nem resistem em mantê-lo. 

Aethelflaed liderando o exército merciano

Por todos esses motivos, eu recomendo fortemente The Last Kingdom, pois apesar de ser uma série com temática Viking, ela tem uma abordagem diferente, mostrando e focando muito mais na história da unificação da Inglaterra do que nos povos escandinavos. Vale a pena para quem quer conhecer um pouco esse período e personalidades. 

Gostei muito da trilha sonora, cacei no youtube e ouço de vez em quando. Recomendo para quem gosta de músicas escandinavas com um pé no folk:


E abaixo, o trailer da segunda temporada, que achei DE LONGE muito melhor que a primeira, só pra dar um gostinho sobre o que esperar:



A série pode ser encontrada na Netflix. A quarta temporada já foi confirmada e está atualmente sendo gravada. Estou já na expectativa!!


"Destiny is all..."



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