sábado, 15 de março de 2014

Malleus Maleficarum - O Martelo das Bruxas

Hoje vou escrever sobre um livro que ocasionou a morte de milhares de mulheres na Idade Média. O Malleus Maleficarum, ou Martelo das Bruxas e Manual de Caça às Bruxas, como é conhecido no Brasil, é um dos livros mais polêmicos da história. Com várias edições e capas diferentes, foi escrito com um único objetivo: transformar as mulheres em seguidoras e adoradoras do demônio cristão.
 
Capa da edição de 1576.


Nos primeiros parágrafos que li, fiquei surpresa sobre como os autores descrevem as mulheres, a misoginia da época. Escrito em 1487 pelos inquisidores Henrick Kramer e Jacobus Sprenger, o livro foi muito divulgado na Europa quando lançado. Na época da Inquisição, todas as mulheres pagãs eram consideradas bruxas e, consequentemente, ligadas ao demônio. O livro influenciou muitos líderes da Igreja e até mesmo pessoas comuns, levando-as a prender e torturar qualquer mulher com indícios de bruxaria, como o culto e adoração a outros deuses que não fossem os cristãos. Foi também uma forma forçada de conversão ao cristianismo, no meu ponto de vista.

O conteúdo do livro é surpreendente pelo fato das narrativas serem totalmente sobre as atitudes das mulheres, pois QUALQUER coisa que elas fizessem era sinal de bruxaria (se fosse bonita demais, se fosse feia demais, se tinha cabelo branco, se era viúva, etc.). Era obrigação dos "homens de Deus" capturá-las para que morressem nas fogueiras.

A primeira parte do livro trata-se de como os juízes inquisidores podiam reconhecer sinais de bruxaria, além de métodos para tortura para que as "bruxas" confessassem o suposto "crime". A segunda parte é sobre todos os males que as bruxas causavam na sociedade, deturpando a religião católica e a imagem de Deus e de como reconhecê-las e a terceira e ultima é sobre como julgá-las. O livro também conta com gravuras, muitas delas relacionadas a mulheres abraçando o suposto demônio, além de retratarem os sabás (festas tipicamente pagãs em honra aos deuses antigos e estações do ano) como forma de encontrá-lo.

O livro todo me chocou muito, mas o que mais me causou repulsa foram os ensinamentos dos inquisidores. Eles passam a imagem de que realmente sabem do que estão falando, e imagino que naquela época quem lia era facilmente influenciado. As "bruxas" eram culpadas de doenças, de crianças que morriam no parto (porque, segundo o livro, elas ofereciam o bebê ao diabo) de transformar homens em animais e de copular com íncubus (um tipo de demônio que invade os sonhos das mulheres e transa com elas enquanto dormem). O desrespeito por outras religiões era tão grande que muitas mulheres foram obrigadas a fugir, a se converter ou praticar seus ritos pagãos escondido. Imaginem quantas mulheres e gatos pretos (eles queimavam os gatos junto, achando que era a bruxa transformada) foram queimados injustamente?

O livro é uma viagem ao passado, e quando o li percebi como eram difíceis aqueles tempos, como era difícil você viver sem liberdade para expor suas crenças, com medo de inquisidores te pararem e te torturarem até você contar qualquer mentira para que acabassem com a tortura. Percebi, também, como era difícil simplesmente ser mulher. Isso já era um grande motivo para ser suspeita. O ódio pelas mulheres, que fica nitidamente perceptível no livro, é algo difícil de compreender.
 
Recomendo muito a leitura para quem gosta de se aprofundar nesse tema e entender o que foi a Inquisição, esse período tão cruel da história. Sinceramente, o livro me deixou horrorizada pois, como homens que se diziam tão tementes à Deus, tão católicos, praticavam tais atos?!

Essa é a capa do meu livro:


O livro possui várias edições, e em bons sebos é possível encontrá-lo. Também há versões disponíveis na internet.

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