domingo, 23 de setembro de 2018

Resenha: Naema, a bruxa - lenda de feitiçaria do século XV

Dando continuidade às postagens de resenhas (tô adorando fazer resenha ultimamente), hoje vou escrever e indicar um livro que li em março e gostei muito: Naema, a bruxa - lenda de feitiçaria do século XV. Como o título já diz, a história se passa há muito tempo atrás, e narra a história de Leonor, que vê sua vida mudar completamente após ser acusada de bruxaria injustamente.



Escrita e psicografada pela médium russa Wera Krijanowsky, a história é ditada espiritualmente por Conde J. W. Rochester, possivelmente o espírito do poeta britânico John Wilmot, segundo conde de Rochester, morto em 1680, aos 33 anos, vítima de sua própria libertinagem: doenças venéreas e alcoolismo. Um filme muito famoso sobre o conde de Rochester é "O Libertino", de 2004, onde Johnny Depp o interpreta. Vale a pena assistir para conhecer um pouco melhor essa figura histórica.

 Ao espírito do Conde é atribuído a autoria espiritual de alguns livros. Segundo pesquisas que eu fiz, Rochester ditou as histórias de alguns livros entre 1885 e 1917. No total, são 55 obras; algumas traduzidas no Brasil pela editora espírita Lake (Livraria Allan Kardec Editora - foi dessa editora que li o Naema). Como a história de Naema foi psicografada, já podemos concluir antes mesmo de ler o livro de que se trata de uma trama de cunho espírita/espiritual.

Conde de Rochester

cartaz do filme "O Libertino"


Naema: história para reflexão ou fatos reais?

" Uma loucura de destruição varria a Alemanha; o medo da magia, dos sortilégios, flutuava no ar como uma nuvem negra. Por toda parte o povo perturbado pressentia bruxas e feiticeiros, filtros, encantamentos e malefícios. Constantemente flamejavam as fogueiras, devorando às centenas as vítimas inocentes ou culpadas, que o iníquo processo do tempo entregava ao carrasco, abrindo à perversidade, aos ódios pessoais, um campo vasto e fecundo"

Na Idade Média, era sabido que o medo das bruxas e mulheres consideradas suspeitas pairava por toda a Europa. Nesse cenário, Leonor é presa, acusada de bruxaria por alguns inimigos (nota real: na Inquisição era muito cômodo que as pessoas, na maioria mulheres, denunciassem outras mulheres por motivos simples, como ciúme ou inveja), e permanece na prisão, até que sua companheira de cela, uma senhora idosa, invoca o mestre Leonardo que, no meu entendimento, é um demônio ou algo equivalente, para que tire Leonor da prisão. A moça aceita, meio receosa, claro, porque sua libertação significa um pacto com o mestre, mas ela prefere isso à morrer na fogueira. Pois bem, Leonor é libertada e convencida por mestre Leonardo a se vingar das pessoas que a acusaram de bruxaria, mas para isso era necessário um disfarce. Esse disfarce era Naema, uma boneca de cera em tamanho real, com a alma de Leonor. Para não estragar a leitura de quem vai ler o livro, vou resumir a história em: não confie nos espíritos das sombras que prometem melhorias materiais mas, na verdade, transformam nossa vida em um reino de caos e sofrimento.

Achei bem interessante uma pergunta e uma passagem do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, logo no começo do livro, antes do primeiro capítulo, que nos ajuda a entender o que virá a seguir:

" Qual o sentido das lendas fantásticas, segundo as quais certos indivíduos teriam vendido sua alma a Satanás em troca de favores?


Todas as fábulas encerram um ensinamento e um sentido moral, e o vosso erro é tomá-las ao pé da letra. Essa é uma alegoria que se pode explicar assim: aquele que chama em seu auxílio os Espíritos, para deles obter os dons da fortuna ou qualquer outro favor, rebela-se contra a Providência, renuncia à missão que recebeu e as provas que deve sofrer neste mundo e sofrerá as consequências disso na vida futura (...)"


Essa breve explicação me fez entender que a história é uma reflexão sobre o que pode nos acontecer se contatarmos os espíritos das sombras para conseguirmos favores ou benfeitorias em nossa vida material. De acordo com a doutrina espírita (e com o que eu particularmente acredito), tudo o que temos e passamos nessa vida serve para nosso aprendizado e evolução espiritual. Querer mudar os rumos disso é uma grande burrada. Claro que você pode escolher melhorar (melhorar de casa, de emprego, de situação econômica, etc.), mas faça isso sem atropelar a lei do tríplice retorno. 

Lógico que na história Leonor não fez por mal, era a única opção que tinha, mas se formos parar para refletir a tão famosa 'moral da história', nos deparamos com os ensinamentos de que existem diversas forças ocultas ao nosso redor, e cabe a nós escolhermos (olha o livre arbítrio aí) de qual lado ficaremos: do lado fácil ou do lado certo (aqui parafraseando Alvo Dumbledore haahah). Não queria dizer aqui (vergonha, eu sei) mas eu li alguns trechos daquele livro da Andressa Urach, Morri para viver, onde ela conta que fez alguns pactos para conseguir o que tinha, e de certa forma pagou o preço. Lembrei desses trechos quando li o Naema. Não acredito que seja mentira, só achei meio exagerado e um jeito meio evangélico de ver as coisas, porque ali fica meio subentendido que todas as religiões afro-brasileiras se baseiam e se encerram em magia negra, o que não é verdade, maaaas que existem pactos desse tipo, existem, e é justamente essa reflexão que a história de Naema nos traz. Claro que o que aconteceu com a Andressa foi consequência da busca exagerada pela perfeição e beleza, mas de certa forma a lei do retorno chegou nos meses em que ela ficou internada entre a vida e a morte no hospital (e os seres das sombras que ela via ali - o que acredito muito). Mas vamos voltar à história da Naema... 

Nas pesquisas que fiz, não encontrei nada que indicasse que essa história realmente aconteceu, tampouco que é uma lenda na Alemanha ou arredores. Concluí, portanto, que é uma história mais ou menos como a bíblia funciona: parábolas para reflexão, o que é bastante bacana também. Muitos livros espíritas (acho que todos até) contém mensagens, ditadas por espíritos, que servem para aprendizado e reflexão, já que esses espíritos estão em um plano superior que o nosso; portanto, possuem muito mais conhecimento, e usam esse conhecimento para nos ensinar algo. 

Eu particularmente gostei da história, claro que achei fantasioso demais em algumas partes, meio cansativo no meio do livro para o final, e meio sem graça o desfecho e o que acontece com os personagens principais, mas no geral eu indico o livro para quem gosta de histórias envolvendo bruxas e Inquisição. A imaginação vai longe, além de tirar boas reflexões sobre o mundo material e espiritual, nos lembrando sempre que existem muito mais coisas além desse nosso plano material. Vale a leitura!!! 

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